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Compostagem de carcaças de grandes animais

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Introdução

O produtor rural, considerando a conscientização ambiental e preocupação com o destino adequado dos resíduos da pecuária, tem buscado alternativas para conciliar a produção à preservação ambiental. Uma solução para o destino das carcaças de animais mortos e outros resíduos biológicos como fetos e restos de parição, considerada economicamente e ambientalmente viável é a compostagem, um processo biológico de decomposição da matéria orgânica realizado por bactérias e fungos que reciclam estes resíduos produzindo o biocomposto.

Este método surge como alternativa às práticas mais comuns de destinação destas carcaças, que são o aterramento enterramento, a deposição em fossas ou valas, a queima e até mesmo o abandono ao ar livre. Práticas que podem requerer custos com mão de obra e ainda a possibilidade de causar problemas com contaminação no solo e lençol freático e transmissão de doenças. O método de compostagem oferece inúmeras vantagens para o produtor, além de não causar poluição no solo ou no ar, é economicamente viável, evita a formação de odores, destrói os agentes causadores de doenças, não contamina o lençol freático, pode ser feito em qualquer época do ano e disponibiliza ao solo nutriente que pode ser usado em manejos de adubação.

A compostagem deve ser feita em uma área do terreno, afastado de nascentes e cursos d'água e o tempo previsto para a decomposição de um animal adulto varia de dois a seis meses.

 

Escolha do Local e Materiais necessários:

• Local adequado do terreno para a montagem da pilha de compostagem: afastado de cursos d'água, área plana e em local visível;

• Material aerador (fonte de carbono/vegetal) podendo ser usados cama de aviário, maravalha, serragem de grânulos grossos, aparas de madeira, palhadas de feijão e outras culturas como a soja, casca de arroz e também o esterco seco. A serragem (fina) não deve ser usada sozinha, embora seja uma boa fonte de carbono, não permite aeração adequada e deve-se misturála a outro resíduo aerador. A quantidade deste material (vegetal) para a decomposição de um bovino adulto é 6 m3 (aproximadamente 2 caminhões caçamba) que pode ser utilizados mais de uma vez, na montagem posterior de outras pilhas de compostagem.

• Disponibilidade de água suficiente para manter a compostagem úmida. As quantidades de água recomendadas, em litros, devem equivaler à metade do peso das carcaças, ou mais, dependendo da umidade relativa do ar de cada região. A pilha de compostagem nunca deve ficar encharcada de água.

 

Preparando a compostagem passo a passo

1º Escolha um local que seja bem drenado, com distância de pelo menos 61 metros de cursos d'água, ou quaisquer mananciais.

 

 

2º Montagem da cama: na base, podem ser usadas aparas de madeira grossa. Para um gado adulto, a base deve ter no mínimo 60 cm de altura, com 3,5 metros de comprimento, a largura deve ser suficiente para garantir 60 cm de área livre em torno da carcaça.

 

 

3º Coloque o animal morto no centro da cama. Perfure o rúmen para evitar inchaço e possível explosão, que se caso venha ocorrer acarreta liberação de odores e desestruturação da cobertura do material de compostagem.

4º A carcaça deve ser coberta com material seco, de alto teor de carbono, sendo possível a utilização de silagem velha, serragem ou esterco seco.

 

 

5º Para animais jovens e partes de animais (placentas, etc.), utilizar a montagem das camadas com aproximadamente 30 cm de material seco entre estas.

6º Aguardar entre 4-6 meses e verificar se a carcaça está totalmente degradada.

 

 

7º Pode-se reutilizar o material de compostagem para montagem de outra pilha, ou remover ossos grandes e juntar em uma carcaça para próxima pilha.

8º Manter o local limpo é um aspecto mais importante da compostagem, pois desencoraja os possíveis predadores e/ou animais silvestres, ajuda controlar odores e mantém relações de boa vizinhança.

 

 

Considerações

Finais Durante o processo de decomposição da matéria orgânica nas pilhas de compostagem, há elevação da temperatura, o que permite a destruição de agentes patogênicos, evitando o risco de contaminação por doenças.

O manejo da compostagem é de fácil execução, no entanto, para uma boa eficiência são necessárias condições especiais de temperatura, umidade e aeração, sendo necessário seguir criteriosamente os passos da operação, pois se feita de maneira incorreta poderá resultar na produção de odores desagradáveis e atração de moscas.

O destino ambientalmente correto destas carcaças de animais e demais resíduos da pecuária é uma tendência crescente, que representa alternativa prática, barata e segura do ponto de vista da biossegurança, além de preservar o meio ambiente e contribuir na redução dos custos finais de produção.

O biocomposto produzido pode ser classificado como fertilizante orgânico simples classe A. Sua utilização, no Brasil, é regulamentada pela INSTRUÇÃO NORMATIVA SDA N° 25, de 23 de julho de 2009, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. Devem ser realizadas análises químicas, físicas e microbiológicas para seu registro para comercialização. Este composto poderá ser utilizado para adubação do solo complementando o uso de fertilizantes químicos convencionais, em adubação de fruteiras e/ou reflorestamento, por exemplo. Há restrições de uso no cultivo de hortaliças e na aplicação em pastagens e capineiras por questão de biossegurança por ter sido produzido com carcaças de animais.

 

Bibliografia

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Instrução Normativa N° 25, de 23 de julho de 2009. Aprova normas sobre as especificações e as garantias, as tolerâncias, o registro, a embalagem e a rotulagem dos fertilizantes orgânicos simples, mistos, compostos, organominerais e biofertilizantes destinados à agricultura. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, p. 20, 28 jul. 2009.

BONHOTAL, J.; HARRISON, E. Z.; SCHWARZ, M. Composting Road Kill. New York: Cornell Waste Management Institute, Center for the Environment, 2007. 13 p.

PAIVA, D. P. Compostagem: destino correto para animais mortos e restos de parição. Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, 2004. Disponível em: <http://www.cnpsa.embrapa.br/pnma/pdf_doc/4-Doracompostagem. pdf>. Acesso em: 05 out. 2010.

WILLIAMS, J. C. Natural Rendering: Composting Livestock Mortality and Butcher Waste. New York: Cornell Waste Management Institute, Center for the Environment, 2002.

***O trabalho foi originalmente publicado pela Embrapa Gado de Leite - Comunicado Técnico, Dezembro/2010.

 
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